Transtornos alimentares: Quem está doente?

Transtornos alimentares: Quem está doente?

Por: Carolina Lopes*, Karina Araújo*, Kelly Maria** e Luísa Mijolary***.

Publicado em 06 de junho de 2019

Dia 02 de junho foi escolhido como o Dia Mundial da Conscientização dos Transtornos Alimentares, que visa sensibilizar e informar a população acerca desses transtornos. Sabemos que a anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar, são bastante prevalentes na sociedade contemporânea. Aproveitando este momento, gostaríamos de falar desta questão a partir de outra perspectiva, para além de uma classificação diagnóstica, e abordar a sociedade que adoece e o sujeito que sofre.

Vivemos em uma sociedade que ‘glamouriza’ a magreza, o controle e a disciplina sobre os corpos, que devem ser moldados a um padrão dito belo e supostamente saudável. Aquilo que permeia a corporalidade é algo que desde cedo fascinou o homem em diferentes épocas. Atualmente, no entanto, a forma de olhar sobre o que envolve a imagem humana se modificou bastante. Com o pretexto da saúde, submetem-se os corpos a um rígido mandamento estético e àquele que, de uma maneira ou outra, não “consegue” disciplinar seu corpo, resta a frustração e a culpa.

Nesse contexto, consideramos que as relações disfuncionais do sujeito com a alimentação, importante fonte de sofrimento, não acontecem num vazio cultural, mas são produzidos por uma determinada maneira sociocultural de lidar com o corpo e a comida.

Vale ressaltar que o fato de a prevalência desses sintomas ser praticamente restrito ao gênero feminino diz respeito a uma sociedade que, mesmo após o advento e a popularização do discurso feminista, mantém um controle diferenciado sobre os corpos das mulheres. A magreza feminina é considerada um sucesso e, seu contrário, um fracasso. Ser magra é recompensado por uma sociedade espetacularizada, na qual reina a imagem como substrato de um status. Nesse sentido, a mulher contemporânea continua obediente a um discurso que determina sua existência, muitas vezes sem mesmo percebê-lo.

Portanto, consideramos a campanha de sensibilização realizada por algumas instituições e ONGs um momento para, não somente informar sobre o adoecimento mas, para além disso, questionar um modelo social ao qual estamos submetidas e submetidos. Deveria um discurso que pretensamente zela pela saúde dos corpos ser, ele mesmo, adoecedor?

Aproveitamos a Campanha de Conscientização em relação aos transtornos alimentares para convidar à todas e todos para uma roda de conversa no dia 13 de junho no CEE (Centro de Ensino e Extensão), localizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV), na sala 8, às 17:30h.

* Graduandas do curso de Psicologia da Univiçosa;

** Médica Psiquiatra;

*** Psicanalista.


Fonte: https://www.univicosa.com.br/uninoticias/noticias/transtornos-alimentaresquem-esta-doente