Planejamento urbano, gestão ambiental e qualidade de vida

Planejamento urbano, gestão ambiental e qualidade de vida

O planejamento urbano pode ser definido como um processo de escolha de um conjunto de ações consideradas mais significativas frente a uma problemática urbana

Publicado em 17 de novembro de 2016

Foto: MorgueFile

Karine de Almeida Paula: Geógrafa, Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Professora nos cursos de Engenharia Ambiental e Gestão Ambiental da Univiçosa

O planejamento urbano pode ser definido como um processo de escolha de um conjunto de ações consideradas mais significativas frente a uma problemática urbana, na tentativa de se estabelecer áreas urbanas mais organizadas e com melhor qualidade de vida. O planejamento urbano surgiu como uma resposta aos problemas enfrentados pelas cidades, definindo uma nova forma de enxergar a cidade e os seus problemas.

No atual contexto em que vivem as cidades brasileiras é imprescindível a relação entre o planejamento urbano e a problemática ambiental. Vários são os impactos gerados em decorrência da expansão urbana, acarretando diversos problemas socioambientais. Particularmente, em relação aos problemas ambientais muitos deles são visíveis ao se caminhar pela cidade. O planejamento urbano, em muitos casos, não é a única solução para minimização ou mitigação de tais problemas, contudo, pode se mostrar como ferramenta eficaz na busca por cidades mais justas e sustentáveis.

A problemática ambiental é algo que deve ser amplamente debatido, seja no âmbito político/administrativo ou acadêmico. Vários estudos revelam a inter-relação entre o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas, seja por meio de projetos de arborização, destinação correta dos resíduos sólidos até as formas de se ocupar um espaço para moradia.

Um dado importante que pode elucidar a discussão é de que apenas 85% dos brasileiros têm acesso à coleta seletiva de lixo e apenas 27% das cidades possuem locais apropriados para destinação dos resíduos sólidos, os chamados aterros sanitários, ou seja, boa parte do que é descartado pela polução é lançado em locais inapropriados, tais como os lixões. A destinação incorreta dos resíduos sólidos acaba por desencadear diversos problemas ambientais, se colocando como um dos grandes desafios a gestão urbana e ambiental.

Outra problemática que acaba por acarretar diversos problemas ambientais é a ocupação de áreas ambientalmente mais frágeis e a diminuição de áreas verdes na cidade. A presença de áreas verdes nos bairros, por exemplo, sejam parques, árvores ou outros tipos de vegetação tendem a trazer efeitos positivos para a saúde. Tais áreas podem auxiliar na redução da poluição do ar, na regulação da umidade do ar e na minimização do fenômeno ilha de calor. Já a ocupação de áreas mais frágeis pode desencadear processos de erosão, enchentes, deslizamentos e outros.

Neste contexto, nota-se a importância de se pensar os espaços na cidade aliado a questões ambientais, na tentativa de gerar melhor qualidade de vida para aqueles que habitam a cidade. Trata-se de um grande desafio, mas que pode ser vencido por meio de ações implementadas e debatidas amplamente a partir de vários âmbitos: executivo, legislativo e acadêmico.


Fonte: https://www.univicosa.com.br/uninoticias/noticias/planejamento-urbanogestao-ambiental-e-qualidade-de-vida