GREP Disserta  

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Este é um espaço reservado para @s participantes do GREP - Grupo de Estudos em Psicanálise - debaterem quinzenalmente um tema levantado pelo grupo, algo que seja revelante e que enseje reflexão da comunidade acadêmica e da população geral sobre temas cotidianas e caros à psicanálise. A ideia desta coluna, portanto, é que @s própri@s estudantes se mobilizem a produzir uma reflexão pertinente e socialmente importante.

Publicado em 10 de outubro de 2017

Estudantes de Psicologia: Karina de Araújo Ferreira, Karina de Oliveira Fialho e Nismaira Caetano de Paula. Revisão Conceitual: professora Luciana Torquato.

 

DIGAS O QUE TENS E TE DIREI QUEM TU ÉS...

“Eu tinha tudo o que sempre quis, eu tinha tudo que deveria ter [...] mas na verdade, eu era infeliz. Havia esse vazio gritante em minha vida. Então tentei preencher esse vazio como muitas pessoas fazem: com coisas, muitas coisas. Estava [...] tentando comprar o meu caminho para a felicidade. Pensei que fosse chegar lá um dia. Afinal, a felicidade devia estar em algum lugar bem próximo. Estava vivendo por um salário, estava vivendo por coisas. Mas não estava vivendo de fato.”

Ryan Nicodemus. Documentário "Minimalism: A documentáry about the important things".

Imagem: reprodução

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Vive-se em um período da história no qual nunca se consumiu tanto. Por que há, ao mesmo tempo, tanto desejo por mais?

A sociedade em que nos inserimos, é uma sociedade de consumo; existe uma ânsia pela obtenção palpável de adquirir não somente roupas, sapatos, objetos, como também por consumir sentimento, gente, sexo, prazeres, tempo. Tudo. Cria-se a utopia de que sem consumo não existe vida, nem bem estar, nem alegria, nem amor. Sem consumo não existe nada.

O desejo de completude no homem se expressa de diversas maneiras revelando uma busca visceral e permanente. O vazio estrutural é interesse de estudo para a psicanálise uma vez que o ser humano na ânsia de não senti-lo, busca no consumismo, no individualismo e na falta de limites os ensejos para seu tamponamento.

Gasta-se tempo em busca de algo que possa  satisfazer essa demanda, preencher esse vazio,  mas o que vem não é o bastante, e o que se busca nunca chega. E é um círculo vicioso a necessidade da pessoa sentir-se querida, desejada, amada. É uma busca constante por prazer, por sentir-se preenchida, desejam preencher a qualquer custo os seus “buracos”.

O tempo atual é caracterizado pela cultura do excesso, do sempre mais e mais, na qual tudo torna-se intenso e muito urgente.

O sujeito contemporâneo carrega consigo uma queixa constante, anunciada na fala, em sua linguagem. Uma queixa que o coloca em um lugar, segundo ele mesmo, de sujeito da angústia. Abre-se caminho para um questionamento: essa angústia que hoje é percebida, não seria a dificuldade de o sujeito lidar justamente com a falta? De lidar com sua castração?

Para a psicanálise, todo sujeito abriga uma falta, isso faz parte de toda estrutura, o que, por consequência pode gerar angústia. Dessa forma, cada estrutura, com seu modo de enfrentar a castração do Outro e a sua própria, busca modos de afastá-la. Por isso surgem-se oportunidades de realizar alguns questionamentos acerca dessa cultura do excesso.

Como então o sujeito frente a tantas ofertas que buscam exatamente lhe oferecer essa oportunidade não ceder e possuir a sensação de que algo possa ser estável, completo? Há de se questionar se não seria justamente esse o ponto, nunca se alcançará a plenitude, isso já está claro, o que consegue obter é a sensação de que ainda não foi pleno, isto é, resta-se somente a esperança. Esperança essa de que um dia alcançará a tão almejada plenitude, pois o que resta é somente essa sensação, uma vez que jamais se chegará perto da completude.

E assim o que pensar dessa busca que está no campo da impossibilidade? Há de se atentar que a mesma produz sintomas, e esses devem ser acolhidos, até que o sujeito seja capaz de elaborar e entenda que sua incansável busca, na qual é identificada com o consumismo é do campo do impossível, uma vez que busca-se não objetos, mas sim a plenitude.

Pensem agora se todos adotassem o estilo de vida “American Way Life”, seria necessário pelo menos mais cinco planetas terras para dar conta de tamanho consumismo. Ainda nos resta mais um questionamento: uma sociedade consumista pode ser considerada como adoecida?

Compreende-se ser inalcançável chegar à finitude, somente através  da morte do sujeito, e cada um entendendo isso possuirá mais chances de obter uma boa qualidade de vida tanto psíquica quanto física.

“Muitas pessoas vão ao shopping esperando encontrar felicidade nas vitrines para suprir o vazio que nada preenche.” 
Di Matioli.

Referência

LEITE TEIXEIRA, Vanessa; SILVA COUTO, Luís Flávio. A cultura do consumo: uma leitura psicanalítica lacaniana. Psicologia em Estudo, v. 15, n. 3, 2010. Documentário Minimalism: A documentáry about the important things. Direção: Matt D'Avella. Estados Unidos, 2016. (79 minutos)


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